Há quem planeie uma viagem à volta de praias, outros à volta de restaurantes com estrela Michelin. Para quem tem fraquinho por muralhas, torres de menagem e fossos, existe agora uma ferramenta pensada precisamente para isso: o Castlemap reúne, num único mapa interativo, 7.738 castelos, fortalezas, palácios e ruínas espalhados por 141 países.
Como funciona a plataforma
O Castlemap constrói-se a partir de dados abertos da Wikidata, cruzando coordenadas exatas com datas de fundação para cada monumento assinalado. Cada ponto no mapa abre uma pequena ficha com fotografia e um resumo da história do local — o suficiente para decidir, em segundos, se vale a pena um desvio na próxima viagem.
Os monumentos estão organizados em quatro grandes categorias: castelos e châteaux, fortalezas e fortes, palácios e residências, e ainda ruínas, que reúne qualquer um dos três tipos anteriores quando já não resta do edifício mais do que vestígios, ou quando desapareceu por completo. O criador da plataforma, conhecido nas redes sociais como @Flightmussy, explica que se trata de uma seleção curada e não de uma lista exaustiva: para entrar no mapa, cada monumento precisa de ter fotografia, coordenadas exatas e um artigo próprio na Wikipédia. Esse critério abrange pelo menos 25 línguas diferentes da enciclopédia colaborativa, o que explica a diversidade de nomes que aparecem no mapa — dos burgs alemães aos châteaux franceses, passando pelos castellos italianos.
Para quem já esgotou a lista de castelos a visitar, o Castlemap tem ainda um jogo próprio, o CastleGuessr, que funciona como uma espécie de teste de orientação geográfica: mostra uma fotografia aleatória de um castelo e desafia o jogador a apontar, no mapa, onde acha que ele fica. A pontuação varia consoante a distância ao local certo, com o objetivo de chegar o mais perto possível dos 5.000 pontos. No final de cada tentativa, é possível ler a história do monumento em questão — o século em que foi erguido, o seu estatuto de património e ainda uma lista de outros castelos próximos, útil para quem já está a pensar no roteiro seguinte.
Espanha lidera em número, mas não em fama
Quem procura castelos sabe que a Europa é o continente certo para começar. Nove dos dez países com mais monumentos catalogados no Castlemap são europeus — a única exceção é o Japão, que surge em sétimo lugar com 297 entradas.
Entre os nomes que normalmente vêm à cabeça quando se fala em países de castelos — Reino Unido, França, Alemanha — quem efetivamente lidera a tabela é a Espanha, com 600 monumentos registados: 383 castelos, 77 fortalezas, 65 palácios e châteaux e 75 ruínas, um conjunto que atravessa mais de 37 séculos de história. Dentro do próprio território espanhol, é a região de Valência que concentra o maior número de monumentos num raio de 100 quilómetros, com 73 entradas, seguida por Madrid, com 59, e Alicante, com 57.
Ter mais castelos não significa, porém, ser o mais falado. O Castlemap mantém também um ranking dos dez monumentos mais famosos, calculado a partir do número de versões da Wikipédia e projetos associados que cada um tem, cruzado com os dados de visualizações dos respetivos artigos. E aqui a Espanha sai da liderança: o topo pertence ao Palácio de Versalhes, em França, seguido da Acrópole de Atenas, na Grécia, erguida ainda no século V a.C., e da Cidade Proibida, o complexo de palácios imperiais chineses. Só depois surge o monumento espanhol mais célebre, a Alhambra de Granada, residência real fundada no século XIII, que fecha o pódio em quarto lugar.
Vale a pena espreitar o mapa antes da próxima escapadela: mesmo sem sair do continente europeu, há sempre um castelo, uma fortaleza ou um punhado de ruínas por descobrir a poucas horas de distância — muitas vezes mais perto do que se imagina.
