Nas margens do Lough Corrib, o maior lago da República da Irlanda, ergue-se um castelo que já foi fortaleza, casa de aristocratas e pavilhão de caça. Hoje é o Ashford Castle, um hotel de luxo na aldeia de Cong, no condado de Mayo. A jornalista da Time Out que lá se hospedou dá-lhe cinco estrelas em cinco, e a descrição que faz da estadia explica bem porquê.

O castelo data de 1228 e mudou de mãos por conquista, concessão real e herança, até ser comprado em 1852 pela família Guinness, que o transformou num local de caça e pesca ao salmão. Por lá passaram o Príncipe de Gales, futuro George V, e Oscar Wilde. Em 1939 tornou-se hotel e, desde 2013, pertence ao grupo Red Carnation. No livro de honra, guardado na galeria do Oak Hall, predominam os visitantes norte-americanos, mas há cada vez mais irlandeses a assinar.

A chegada já é um pequeno cerimonial. Um porteiro de cartola abre a entrada da propriedade e a estrada privada atravessa campo de golfe e mata antes de cruzar o rio Cong por uma ponte estreita. À porta do castelo, duas estátuas de cão-lobo irlandês fazem de sentinelas.

Lá dentro, a decoração não faz cerimónia. Cada quarto tem uma cor dominante, repetida em várias tonalidades nos tecidos, nas paredes e nos tapetes feitos por medida. Nas salas comuns, peças contemporâneas de artesãos irlandeses convivem com antiguidades: o lustre gigante do salão Connaught é de cristal de Donegal, o balcão verde do Prince of Wales Bar é de mármore de Connemara e as paredes mostram retratos dos antigos donos.

Os quartos começam na categoria Corrib e sobem até às suites, uma delas batizada em honra de Ronald Reagan, que ali dormiu. No topo está a Boathouse, com mordomo pessoal. No quarto com vista para o lago, a jornalista via a água da cama e da casa de banho. Os roupões, amarelo-claros e com o brasão bordado, deixam à vista o forro de turco branco nas lapelas. Convém uma nota prática: o castelo é um labirinto de corredores e escadas. Depois do check-in, um funcionário acompanha os hóspedes ao quarto, e a autora demorou quinze minutos a encontrar sozinha o caminho de volta à receção. O conselho dela é fotografar o mapa de evacuação afixado na porta e decorar a cor das escadarias.

À mesa, o bar serve cocktails sazonais com ingredientes da horta do castelo, como um gin com limão e maracujá aromatizado com salva-ananás. No George V Dining Room, o menu de degustação vegetariano, com oito momentos, custa 165 euros. A autora garante que não se sente a falta de carne ou peixe, graças à criatividade nas texturas e à qualidade dos produtos. As harmonizações de vinho incluem várias garrafas produzidas por emigrantes irlandeses. Há código de vestuário: sem ténis nem ganga, e casaco para os homens. Para refeições mais descontraídas, o Cullens at the Cottage aposta no peixe e o Dungeon na carne. O presunto cozinhado no próprio castelo e fatiado à mesa, ao pequeno-almoço, merece a fama que os funcionários lhe atribuem.

 

Dentro da propriedade há um cinema de 32 lugares, todo em vermelho, que se pode alugar e onde se projeta, entre outros, The Quiet Man, filmado nos terrenos e arredores. Há também um ginásio com piscina de 15 metros e um spa com uma pequena piscina, mais própria para flutuar do que para nadar. Nos 350 acres do parque fazem-se caminhadas gratuitas, como a manhã com os cães-lobo do castelo, a escuta dos pássaros ao amanhecer em Maio e as visitas à horta entre Junho e Outubro. Podem reservar-se falcoaria, pesca, equitação e passeios de barco no lago.

A aldeia de Cong fica a quinze minutos a pé, com uma livraria dedicada à história e à paisagem da Irlanda e as ruínas de uma abadia agostinha do século XII. Daí segue-se para os bosques de Cong e para a Pigeon Cave. Vale ainda a pena explorar as turfeiras de Connemara e os vales e lagos do sul de Mayo. Galway fica a 45 minutos de carro.

O Outono é a melhor altura, com a névoa a subir do Lough Corrib e as folhas dos bosques a amarelecer contra a água escura do rio. Um quarto duplo Corrib custa entre 487 euros por noite no Inverno e 1050 euros no pico do Verão. Nessa altura, uma alternativa mais económica é o The Lodge at Ashford Castle, dentro da propriedade, com quartos entre 225 euros na época baixa e 465 euros na alta. Os hóspedes do Lodge têm acesso aos jardins, ao centro de lazer e aos restaurantes do castelo.

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