28 de Dezembro de 2025
Primeiro dia no Quénia, marcado pelo sono, pela longa viagem de comboio e pelo tempo chuvoso.
Aterragem no obsoleto aeroporto de Nairobi, onde de uma forma ou de outra tudo foi resolvido a contento. Passagem breve pelo controle de passaporte e visto, depois uma máquina Multibanco caprichosa que só aceitou um de quatro cartões e a seguir a compra do SIM Card. Bom preço para a internet móvel. Cerca de 8 Euros para 10 Gb de dados com a SafariCom, tida como a melhor rede do país mas também a operadora com preços mais elevados. Opcionalmente a Airtel será um bom compromisso, com uma cobertura razoável e preços mais baixos.
O comboio para Mombassa estava agendado para as 9:40 e eram ainda 6:30 quando as tarefas de aeroporto ficaram concluídas. Sentámo-nos um pouco na zona de chegadas do terminal. A estação SCR Terminus de Nairobi fica a uns 7 km, mas com trânsito o percurso pode demorar bastante tempo. Contudo era Sábado. No máximo uma meia-hora. Ora é aconselhado estar na estação uma hora antes da partida. Tinha achado exagerado, mas em breve compreenderia.
Embarcar no comboio é uma peça teatral em vários actos. Chegámos cerca das 7:30. Os passageiros que tinham passagem para a composição das 8 horas passavam por um controle de segurança adiantado. O guarda aponta-nos a área onde devemos esperar. Vamos observando os retardatários que vêm correndo, enquanto um funcionário devidamente fardado e equipado com um megafone os vai incitando…. “16 minutes to go”. “14 minutes to go, harry up [mesmo assim, harry como em Harry].
Talvez os últimos a passarem pela barreira não tenham conseguido chegar às carruagens em devido tempo, isto considerando a distância. Depois de uma série de avisos e apitos, às oito em ponto vejo o comboio por-se vagarosamente a caminho. Pouco depois os guardas fazem sinal para avançar.
Há um primeiro controle, simplificado, para revista pessoal, aquela do apalpanço. Logo à frente, toda a gente deposita a bagagem num espaço central, recuando um par de metros. Aparecem então em cena dois cães farejadores que não acusam nada de suspeito. O terceiro acto é mais convencional, assemelhando-se ao controle de segurança de um aeroporto comum. A seguir um indivíduo sem uniforme e muito simpático (como quase toda a gente) verifica os passaportes dos passageiros que são claramente estrangeiros.
Por fim, a longa espera numa ampla sala com várias lojas, cafés e restaurantes. Vazia de início, foi-se enchendo, e quando as portas para a plataforma se abriram, exigindo a passagem por uma cancela automática com leitor de bilhetes, foi a largada de toda aquela gente.
Da viagem nada a dizer. Dormi durante quase todas as seis horas que durou. Acordei da última tirada com a chegada à estação de Mombasa.
Mais um Uber para o apartamento alugado, viagem rápida, sem história, ainda com sono. Bom alojamento, muito económico: 22 Euros por noite, com tudo o que pudesse precisar. Ar condicionado no quarto, uma pequena sala com televisão, uma cozinha enorme, acesso ao terraço. Tudo óptimo.
Lá fora chovia. Desde manhã que o céu carregado largava água com intensidade variada e alguns períodos de interrupção. Mais tarde, já passava das 21 horas, parou.
Aproveitámos para sair para jantar, depois de umas horas de ronha. O anfitrião tinha recomendado o Camel’s Joint, bem próximo. Não decepcionou. Comeu-se bem, foi divertido, fez bem sair um pouco. Após a refeição uma visita a um supermercado nas imediações, aberto 24 horas por dia, onde nos abastecemos para o dia seguinte e já a pensar na viagem para Lamu.
