Viajar é uma das experiências mais enriquecedoras que podemos ter. Conhecer novas culturas, descobrir paisagens diferentes, provar comida local e criar memórias inesquecíveis são algumas das razões que levam milhões de pessoas a explorar o mundo todos os anos. No entanto, por muito bem planeada que esteja uma viagem, existem sempre imprevistos que podem transformar uma aventura de sonho num pesadelo.

Um voo cancelado, uma bagagem perdida, uma doença súbita ou um acidente podem acontecer a qualquer pessoa, em qualquer destino, a qualquer momento. E é precisamente para lidar com estas situações que existe o seguro de viagem.

Aquela cena que se repete de alguém nos grupos de viagem das redes sociais a escrever que está hospitalizado no estrangeiro, que a fatura já ultrapassa os vinte mil euros, e que não fez seguro porque “parecia caro” ou “nunca acontece nada” não sucede só aos outros.

E não é preciso ir a destinos exóticos para que isto aconteça. Uma apendicite na Polónia, uma fractura no esqui nos Alpes, uma intoxicação alimentar no Egito — qualquer destas situações pode transformar uma viagem de sonho numa chatice, mesmo que a conta do hospital esteja coberta pelo Cartão Europeu de Saúde.

Embora muitas pessoas ainda o considerem um gasto dispensável, a verdade é que um seguro de viagem adequado pode evitar prejuízos financeiros significativos e proporcionar apoio essencial em momentos difíceis. Neste artigo, explicamos o que é um seguro de viagem, quais as suas coberturas mais comuns, como escolher a melhor opção e em que situações se torna particularmente importante.

 

O que é um Seguro de Viagem

Um seguro de viagem é um contrato que cobre um conjunto de riscos específicos associados a deslocações fora do país de residência. Nele, a seguradora compromete-se a prestar assistência e compensação financeira em determinadas situações que possam ocorrer antes ou durante uma viagem.

Não é o mesmo que um seguro de saúde internacional, que funciona como cobertura contínua para quem vive ou trabalha no estrangeiro durante períodos prolongados. O seguro de viagem é geralmente pontual, associado a uma viagem concreta, com início e fim definidos.

Existe uma confusão muito comum entre o seguro de viagem e dois outros mecanismos que as pessoas assumem ser equivalentes: o Cartão Europeu de Seguro de Saúde e as coberturas oferecidas por alguns cartões de crédito. Nenhum dos dois substitui um seguro de viagem de raiz, por razões que vale a pena perceber em detalhe.

O Cartão Europeu de Seguro de Doença — útil, mas insuficiente
O CESD — emitido gratuitamente pela Segurança Social portuguesa — garante acesso a cuidados de saúde públicos nos países da União Europeia, no Espaço Económico Europeu e na Suíça, nas mesmas condições de que os cidadãos locais usufruem. É um instrumento valioso e deve estar sempre na carteira de qualquer viajante europeu. Mas tem limitações sérias que é preciso conhecer.

Primeiro: não funciona fora da Europa. Uma urgência nos Estados Unidos, no Japão ou no Brasil não está coberta.
Segundo: não inclui repatriamento médico, que é frequentemente a parte mais cara de um incidente grave.
Terceiro: não cobre cancelamento de viagem, atrasos, perda de bagagem, nem responsabilidade civil. É um complemento, não uma solução completa.

Os cartões de crédito com seguros de viagem associados exigem uma leitura atenta das condições. Muitos requerem que a viagem tenha sido paga com esse cartão, têm limites de cobertura médica muito baixos e excluem uma lista considerável de situações. Antes de confiar no cartão como única proteção, vale a pena ler a apólice até ao fim.

Os diferentes tipos de cobertura

Um seguro de viagem completo reúne várias coberturas distintas, e perceber o que cada uma faz é essencial para escolher o produto certo.

A cobertura de saúde e evacuação médica é a mais importante. Cobre despesas hospitalares, consultas, medicamentos e, talvez o mais importante, o transporte de regresso ao país de origem quando o estado clínico assim o exige. Em situações extremas, esta cobertura pode também incluir o repatriamento em caso de falecimento.

O limite de cobertura importa muito aqui — nos Estados Unidos, uma noite numa unidade de cuidados intensivos pode custar mais de dez mil dólares, e uma evacuação aérea médica pode facilmente ultrapassar os cem mil euros. Seguros com limite de cobertura médica abaixo de 500.000 euros devem ser encarados com alguma prudência quando se fazem viagens fora da Europa.

O cancelamento e interrupção de viagem cobre os prejuízos quando a viagem não pode acontecer ou tem de ser interrompida por razões fora do controlo do viajante. Atenção: “razões fora do controlo” é uma expressão com peso jurídico. Mudar de ideias não conta.

Entre as causas habitualmente aceites encontram-se:

  • Doença grave do viajante
  • Acidente
  • Falecimento de familiar próximo
  • Convocatórias judiciais
  • Determinadas situações profissionais
  • Catástrofes naturais ou conflicto armado no destino

A cobertura de atrasos de voo compensa despesas adicionais — refeições, alojamento, transporte — quando um voo se atrasa para além do número de horas referido na apólice. A cobertura de bagagem indemniza pela perda, roubo ou dano de malas e pertences. A responsabilidade civil protege o viajante caso cause danos a terceiros — uma cobertura frequentemente esquecida mas que pode ser decisiva.

Existem ainda coberturas especiais para situações específicas: desportos de aventura e de montanha, gravidez, condições médicas pré-existentes, e assistência jurídica no estrangeiro. Estas coberturas raramente estão incluídas nos planos base e exigem contratação adicional.

Seguro por viagem, por tempo longo ou anual

Para quem viaja uma ou duas vezes por ano, um seguro por viagem faz geralmente mais sentido: paga-se apenas pelo período necessário, com coberturas ajustadas ao destino. Tem um pequeno desconto aplicável consoante o número de pessoas para que se faz a apólice.

Para quem viaja com frequência — mais de cinco ou seis vezes por ano — um plano anual pode compensar em termos económicos e é mais prático.

Os planos anuais têm, porém, algumas particularidades. Costumam ter um limite de dias por viagem — habitualmente entre 30 e 90 dias — e podem excluir regiões consideradas de risco elevado. Quem planeia uma viagem longa ou a um destino específico deve verificar com atenção se o plano anual que tem cobre essa situação ou se é necessário complementar com uma apólice adicional.

E há ainda o plano de longa duração, adequado para quem sai pelo mundo por tempo indeterminado. Contrata-se por um período inicial mínimo e pode ser renovado diretamente a partir do estrangeiro, à medida que a viagem se estende, sem necessidade de voltar a Portugal.

Em alguns casos pode dar jeito um seguro de cancelamento de viagem, mais económico, que tem como único objectivo anular perdas decorrentes do cancelamenteo de uma viagem. Adequado para pessoas que gostam de planear com antecedência e por vezes se deparam com contratempos.

As exclusões que ninguém lê

As exclusões são a parte mais importante de qualquer apólice de seguro — e a menos lida. Alguns exemplos do que tipicamente não está coberto, e que surpreende quem só descobre no momento de reclamar:

  • Desportos de risco não declarados: mergulho com botija, parapente, escalada, esqui fora de pista. Se a atividade não está explicitamente coberta e ocorrer um acidente durante a sua prática, a seguradora pode recusar a indemnização na totalidade.
  • Consumo de álcool e substâncias: incidentes que ocorram sob influência de álcool ou drogas são frequentemente excluídos. A definição de “influência” varia de apólice para apólice, mas é uma cláusula que existe em quase todas.
  • Negligência do segurado, ou chamado “pôr-se a jeito”, envolvimento do segurado em actividades ilegais ou a participação em conflictos armados.
  • Condições pré-existentes: doenças crónicas, cirurgias recentes, tratamentos em curso — se não forem declarados no momento da contratação, qualquer complicação relacionada pode não ser coberta. Alguns seguros oferecem cobertura de condições pré-existentes mediante declaração e, por vezes, pagamento adicional.
  • Zonas de conflito e destinos com aviso de viagem: se o Ministério dos Negócios Estrangeiros tiver emitido aviso de desaconselhamento de viagem para um determinado país e o viajante optar por ir na mesma, a cobertura pode ser parcial ou nula.
  • A questão das pandemias merece atenção especial. Após a COVID-19, muitas seguradoras passaram a oferecer cobertura específica para doenças pandémicas, mas as condições variam enormemente. Vale a pena verificar o que está e o que não está incluído, especialmente em destinos com situações sanitárias instáveis.

Como escolher um seguro de viagem

A oferta disponível em Portugal inclui seguradoras nacionais como a Fidelidade, a Tranquilidade e a Allianz, plataformas de comparação como o ComparaJá, e seguradoras internacionais especializadas em viagem como a Heymondo e a World Nomads.

Ao comparar opções, os critérios mais relevantes são: o limite de cobertura médica e de evacuação (sugiro não optar por nada abaixo dos 500.000 euros para destinos fora da Europa), a existência de assistência telefónica disponível 24 horas, o processo de reclamação (alguns seguros exigem pagamento imediato pelo segurado e posterior reembolso; outros têm serviço de pagamento direto ao hospital), a franquia aplicável, a cobertura de cancelamento, a facilidade de comunicação.

O preço importa, claro, mas não deve ser o critério principal. A diferença entre um seguro de 20 euros e um de 50 euros para uma viagem de duas semanas é irrelevante face ao que pode estar em jogo.

O que fazer quando algo corre mal

A gestão de um incidente em viagem começa antes de partir. Guardar os contactos da seguradora no telemóvel — e numa versão impressa na carteira — é um hábito simples que pode poupar horas de confusão numa situação de stress. O número de apólice, a linha de emergência internacional, e o email de assistência devem estar acessíveis sem depender de internet. É também boa ideia deixar toda essa informação com alguém de confiança cá em Portugal.

Em caso de necessidade médica, o primeiro passo é sempre contactar a linha de assistência da seguradora antes de se dirigir a um hospital. Sempre que o estado de saúde o permita, claro. Muitas seguradoras têm acordos com hospitais específicos, e o não cumprimento deste protocolo pode complicar o processo de reembolso.

Em caso de roubo ou perda de bagagem, é indispensável apresentar queixa às autoridades locais e guardar o comprovativo. Sem participação policial, a reclamação ao seguro dificilmente avança. O mesmo se aplica a danos causados por transportadoras aéreas: o relatório de irregularidade de bagagem — o PIR, preenchido no aeroporto — é o documento base de qualquer reclamação.

Guardar todos os recibos de despesas decorrentes de um incidente é fundamental. Despesas médicas, alojamento adicional por atraso de voo, refeições — tudo o que possa vir a ser reclamado precisa de prova documental. A regra de ouro é simples: em viagem, nunca deitar fora um recibo.

Casos especiais que merecem atenção

Algumas situações exigem cuidados adicionais na hora de contratar.

Viagens de cruzeiro têm dinâmicas próprias: a evacuação médica a partir de um navio em alto mar é particularmente cara, e nem todos os seguros genéricos a cobrem adequadamente. Existem apólices específicas para cruzeiros que valem a pena considerar.

Viajantes com condições médicas pré-existentes devem declarar tudo no momento da contratação, mesmo que isso implique um prémio mais elevado. A alternativa — não declarar e rezar para que nada corra mal — é uma falsa poupança.

Nómadas digitais e viajantes de longa duração enfrentam um desafio particular: os seguros de viagem standard têm geralmente um limite de dias por deslocação, e os seguros de saúde internacionais podem ser a solução mais adequada para estadias superiores a três meses.

Famílias com crianças pequenas devem verificar as coberturas específicas para menores — incluindo repatriamento dos filhos em caso de hospitalização de um dos pais — e assegurar que todos os membros da família estão incluídos na apólice.

Portanto…

Um seguro de viagem custa, em média, entre um e cinco por cento do custo total da viagem. É uma das compras com melhor rácio custo-benefício que um viajante pode fazer — não porque algo vá inevitavelmente correr mal, mas porque a eventualidade de correr existe sempre, e as consequências financeiras de não estar coberto podem ser devastadoras.

Ninguém compra um seguro de viagem porque deseja utilizá-lo. Pelo contrário. A esperança de qualquer viajante é regressar a casa sem nunca precisar de contactar a seguradora, preencher formulários ou guardar recibos para pedir reembolsos. O cenário ideal é precisamente aquele em que o seguro acaba por parecer um desperdício de dinheiro.

É contudo uma escolha pessoal, mexer com a personalidade do viajante. As pessoas mais cautelosas devem sem dúvida alguma fazê-lo, o que confere uma maior tranquilidade durante a viagem. A idade é outro factor a ter em conta, já que com o peso dos anos a probabilidade de ter algum problema de saúde durante o tempo que se está fora de casa aumenta.

Por outro lado o viajante mais jovem, aventureiro e ousado não quer nem ouvir falar do assunto, e há que respeitar essa escolha. No final, cada um sabe de si.

Tratar do seguro deve ser parte do processo de planeamento de qualquer viagem, com a mesma naturalidade com que se reserva o voo ou o hotel. Não é pessimismo nem excesso de cautela — é simplesmente literacia financeira aplicada à vida real. A próxima vez que estiveres a confirmar a reserva do alojamento, abre outra aba e trata do seguro. O teu eu futuro vai agradecer.

A Escolha do Cruzamundos

No início era pontapé para a frente e fé em Deus. Não sei se esta expressão ainda se usa ou se é conversa de velho, mas era assim que viajava. Nunca tive uma natureza muito cautelosa e nunca acreditei no conceito de Seguro.

Até que acordei um dia e percebi que os anos não perdoam. É inevitável, o envelhecimento das células cria problemas antes inexistentes, já coisas no corpo que já começam a dar sinais de desgaste. E as probabilidades de ter um problema de saúde durante uma viagem aumentam. Passei a fazer seguros de saúde sempre que saio da Europa. Pelo Velho Continente assumo bem o risco de contar apenas com o Cartão Europeu de Saúde, até porque esta – a saúde – é a minha principal preocupação no que toca a riscos.

Sair da Europa, sempre com seguro de viagem, geralmente de gama média, feito por cada vez que saio e não ao ano, porque feitas as contas me sai mais em conta. Quanto à seguradora, sou cliente da Heymondo. O leitor não é tolo e já deve ter percebido que existe uma relação comercial entre mim e a Heymondo, mas sob palavra de honra estas palavras não são influenciadas por isso. Na realidade já era cliente antes do estabelecimento desta relação. E porquê?

  • Processo de aquisição do seguro é rápido e simples. Dificilmente o poderia ser mais, e excesso de burocracia aborrece-me imenso.
  • As condições básicas são apresentadas também de forma clara e sumária. Fácil de escolher o que mais nos convém sem ser preciso arrancar cabelos para decidir.
  • Uma boa parte da relação funciona através da app, o que simplifica imenso as coisas.
  • Tem suporte via WhatsApp, quer para questões gerais quer para situações de emergência; assim poderá estabelecer contacto sem precisar de pagar uma fortuna em roaming, desde que tenha internet… e quem não tem dados móveis em viagem hoje em dia…?
  • Em termos de preços localiza-se onde gosto: no meio termo. Bem mais barato do que os seguros de viagem de empresas internacionais super especializadas, que oferecem tudo e mais alguma coisa, mas com um preço bem mais elevado. Sendo que o “tudo e mais alguma coisa” traduz-se por marketing de vendas de algo que ninguém vai nunca precisar. E, apesar de existirem propostas no mercado um pouco mais baratas, não oferecem as condições que acabo de listar.

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