5 de Janeiro de 2026
Não direi que Nairobi tem muito para fazer, que é uma maravilha para turismo urbano, mas também não é tão mau como se houve por aí dizer. Pelo menos dois dias bem preenchidos são garantidos, transporte feito simples pela facilidade proporcionada pela Uber.
E foi assim que depois de um pequeno-almoço simples no apartamento saímos para visitar alguns pontos de interesse na capital do Quénia, começando pelo Museu Nacional Ferroviário. Não foi o melhor museu do género que já visitei (até ver esse encontra-se em Puebla, no México) mas valeu bem o tempo gasto. Bastante material circulante, entre o qual se destaca a locomotiva usada nas filmagens do filme Out of Africa. Gostei das carruagens abandonadas, que se podem explorar livremente.

Localizado junto à histórica estação ferroviária de Nairobi, foi criado em 1971, preservando locomotivas, carruagens, equipamento ferroviário e um vasto arquivo documental relacionado com a construção da Uganda Railway, a linha férrea que deu origem ao nascimento da cidade de Nairobi. Foi aqui que no final do século XIX se estabeleceu o acampamento para os trabalhadores da Uganda Railway, a linha construída pelos britânicos entre Mombaça e o Lago Vitória. Pode-se portanto dizer que precisamente neste local se encontra o núcleo histórico de Nairobi, algo de que raramente os visitantes se apercebem
Não se encontrava mais ninguém a visitar o museu e o dia estava encantador, de bom sol e relativamente fresco.
Terminada a visita ao museu seguimos até ao arboreto de Nairobi, um espaço tranquilo no meio de uma cidade muito movimentada.

O Nairobi Arboretum é o mais antigo jardim botânico florestal do Quénia e um dos espaços verdes mais importantes de Nairobi. Criado em 1907 como campo experimental para testar espécies arbóreas de crescimento rápido destinadas a abastecer a ferrovia, transformou-se num refúgio de biodiversidade com mais de 300 espécies de árvores, centenas de espécies de aves e vários mamíferos, constituindo hoje um dos locais preferidos dos habitantes da cidade para caminhadas, observação da natureza e lazer.
Ao longo das décadas seguintes, o arboreto foi sendo enriquecido com árvores indígenas e espécies ornamentais exóticas introduzidas por sucessivos conservadores florestais. Em 1932 passou a ser uma reserva florestal protegida e, atualmente, é gerido pelo Kenya Forest Service com o apoio da organização Friends of Nairobi Arboretum, criada em 1993 para travar a degradação do espaço.

Mais uma vez não havia ninguém por ali. Apreciámos o espaço e, claro, as árvores da colecção botânica. Mas não nos pudemos demorar muito. Temos o voo doméstico ao fim da tarde para Kisumu. Um ponto de passagem, um trampolim para no dia seguinte passar a fronteira em Busia e entrar no Uganda.
Regressámos ao alojamento onde as mochilas tinham ficado à guarda. Mais um Uber, desta vez para o aeroporto local, quase de bairro, que funciona apenas com voos domésticos. O ambiente evoca o imaginário africano. Na placa estão alinhados pequenos aviões de hélice, daqueles que se usam para atingir pontos remotos, pistas de terra batida pertencentes a fazendas e acampamentos para safaris destinados a turistas. Nem uma aeronave a jacto à vista.

O nosso pequeno avião voará até a Kisumu. Com pouco mais de 500 mil habitantes é a terceira maior cidade do Quénia, mas não importa, estaremos ali de passagem, rumo ao Uganda. Uma solução alternativa, mais confortável e rápida do que a longa viagem de autocarro desde Nairobi. E por apenas um pouco mais de dinheiro.
Passamos a noite num local estranho, uma espécie de condomínio fechado tipo xunga, que na realidade está aberto para o mundo mediante a abertura do portão sem fecho. O apartamento em si até está bastante bem arranjadinho, mas mesmo que quiséssemos dar uma vista de olhos na cidade não ia dar. Este local é no campo, no meio do nada, será para passar a noite e arrancar de manhã cedo para a fronteira. Felizmente tínhamos abastecimentos connosco, fome não passámos.



