6 de Janeiro de 2026

De Kisumo a Busia são 115 quilómetros. Viagem simples. A passagem da fronteira faz-se também com facilidade. À saída do edíficio os taxistas aguardam. O costume. Mas desta vez há algo diferente. Alguém propõe outra coisa. Um engajador aponta-nos para um carro, um todo-o-terreno impecável com três homens bem vistos no seu interior. Vai partir já! Só faltamos nós para seguir viagem. O preço pedido é razoável. Aceitamos. Grande fezada.

Agora serão mais 115 quilómetros. Sempre a abrir, com grande conforto, em silêncio no banco de trás enquanto à frente o condutor e o seu acompanhante conversam animadamente sem interrupção. O carro é de um organismo estatal e a viagem foi bem rentabilizada pelo condutor que terá ido à fronteira buscar alguém em trabalho.

Deixam-nos numa rotunda à margem da cidade. Mas a distância até ao centro é pequena, uns 400 metros, sempre a descer.

A rua principal, sintomaticamente chamada Main Street, é onde tudo acontece em Jinja. Ao fim de dois dias a andar para cima e para baixo já conhecia quase todas as lojas mas ao chegar pareceu-me um mundo novo. Onde encontrei a solução para a primeira missão no Uganda: comprar um cartão SIM. Não foi simples. Implicou voltar ao vendedor e irmos juntos ao balcão oficial do operador, que felizmente se encontrava uns duzentos metros mais à frente. E de repente fez-se magia e passámos a ter dados móveis.

Depois, almoçar, em estabelecimento indicado pelo mesmo vendedor. Um negócio de família onde se comeu mesmo muito bem e igualmente barato. Fomos atendidos com todas as mordomias reservadas a visitantes exóticos. Deliciei-me com uma escolha vegetariana composta por arroz e feijão envolvido num molho delicioso.

E com isto já se faziam horas para dar entrada no alojamento reservado, bem fora do centro, escolhido para oferecer uma experiência repousante, algo que de resto era o que procurava em Jinja. Quando viajo por tempo mais prolongado escolho sempre um ou dois locais onde espero recuperar energias e descansar, sempre fui assim e com a idade ainda mais se acentuou esta necessidade de repousar.

Chamei um Uber – sim, mesmo em Jinja existiam – e seguimos para o alojamento, localizado a cerca de 2 km do centro, junto a uma estrada de terra batida pouco frequentada. Recepção simpática a alojamento a cumprir todas as expectativas, com uma varanda de madeira virada para a água e a vida local a desfilar defronte.

O nome do estabelecimento é Home On The Nile water front Cottage e pagámos 140 Euros por três noites, pequeno-almoço incluído.

Tem um bar muito agradável, boas bebidas, cerveja gelada e serviço de restaurante, que foi muito apreciado.

Naquele dia já não se saiu. Aquela varanda com vista para a água tinha um poder magnético, ainda para mais equipada com uma espécie de sofá cama confortável, coberto de almofadões. Estava-se bem. Podia-se observar as idas e vindas da população local, que habitava um bairro de pescadores pouco mais à frente. Ali perto havia o porto comercial, uma coisa humilde, com um pontão e nada mais. Todos os dias existia um serviço de ferry que ligava as duas margens da foz do Victoria Nile. Pontualmente havia alguma carga para transportar, o que era algo barulhento, mas suportável.

 

 

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