Alugar um carro continua a ser uma das formas mais práticas de explorar um destino ao nosso próprio ritmo, mas também uma forma de viajar onde facilmente gastamos mais do que o necessário.
Ao longo da minha vida de viajante aluguei um carro logo na segunda aventura fora de Portugal, e para complicar, num país onde a condução se faz pela esquerda: a Irlanda.
Tirando o momento em que num entroncamento me meti na faixa errada e encontrei uma betoneira de frente, correu tudo bem. Desde então aluguei carros por períodos entre um dia e duas semanas, voltei à faixa da esquerda na Namíbia onde conduzi um Suzuki Jimny ao longo de 3.500 km, encontrei os cantos perdidos de Santorini, com uma pequena viatura, bati todos os cantos das ilhas de Lanzarote e Fuerteventura nas Canárias, andei pelos desertos da Arábia Saudita, fiz de um carro de aluguer e de uma tenda o meu lar no Omã.
Também conduzi nas estradas de Espanha, até mais do que uma vez, e o mesmo se aplica às ilhas de São Tomé e do Príncipe. Na Jordânia a viatura própria abriu-me as portas para experiências de outra forma inacessíveis. Aconteceu o mesmo no pequeno Qatar e para uma viagem na Tunísia que só seria possível com um carro. No Brasil foi essencial conduzir para poder percorrer uma rota que combinou aldeias históricas com magníficos locais de Natureza e em França fiz uma maravilhosa roadtrip de Lorrient até Bordéus, passando pelo Vale do Loire e Limoges.
E em Portugal, quando faço viagens de exploração, e já foram muitas, opto quase sempre por alugar um carro, especialmente na época baixa. Por um valor insignificante poupo a minha própria viatura a muitos quilómetros de estrada.
Por tudo isto, sei umas quantas coisas sobre alugueres de carros. Que partilharei aqui com o leitor.
O preço que vês pode não ser o preço que pagas
O primeiro passo é perceber que o valor apresentado num motor de pesquisa pode não ser o preço final. Muitas operadoras apresentam tarifas que excluem o seguro de responsabilidade civil complementar, as taxas de aeroporto, os encargos por condutor adicional e, em muitos casos, até o combustível.
Entre taxas que surgem apenas no balcão, seguros que ninguém explicou convenientemente e upgrades que pareciam gratuitos mas não eram, o valor final pode ser bem diferente do que apareceu no primeiro resultado de pesquisa.
Antes de comparar preços entre companhias, vale a pena definir claramente o que se quer incluído — e só depois comparar valores já com esses elementos na nossa posse.
Ferramentas como a DiscoverCars.com tornaram-se cada vez mais úteis precisamente por isso: apresentam o custo total estimado de forma mais transparente do que muitas operadoras fazem nos seus próprios websites, o que facilita uma comparação honesta entre opções.
A regra prática é simples — nunca comparar tarifas base entre si, mas sim o custo total com as coberturas mínimas necessárias.

Reservar com antecedência: a estratégia mais simples
As tarifas de aluguer funcionam de forma dinâmica, semelhante aos voos: quanto mais próximo da data de retirada, mais escassez há e mais cara fica a reserva. No fundo, a aplicação da lei da oferta e da procura.
Por exemplo, para destinos populares no verão europeu — sul de Espanha, Sicília, Grécia ou Portugal — fazer a reserva com dois a três meses de antecedência pode representar uma poupança de 30% a 50% face ao mesmo veículo reservado na semana anterior à viagem.
Ao mesmo tempo, procurar flexibilidade também se recomenda: algumas plataformas oferecem tarifas ligeiramente mais baixas para reservas com cancelamento gratuito, o que permite reservar cedo e ajustar caso apareça uma opção melhor. Não é necessário escolher entre poupar e ter margem de manobra — muitas vezes é possível ter os dois.
Com a DiscoverCars.com mesmo cancelar a reserva sem custos, caso encontre uma opção melhor, ou, claro, se simplesmente for necessário mudar de planos
Seguros: onde se perde mais dinheiro sem dar por isso
O seguro é provavelmente o tema mais confuso de todo o processo de aluguer — e também aquele onde se desperdiça mais dinheiro desnecessariamente. As operadoras nos balcões de aeroporto têm fortes incentivos comerciais para vender coberturas adicionais, muitas vezes apresentadas de forma a criar ansiedade ao cliente: “e se houver um arranhão?”, “e se o carro for roubado?”.
A verdade é que muitos cartões de crédito, especialmente os de nível superior associados a programas de viagem, incluem cobertura de colisão para veículos alugados quando o pagamento é feito com esse cartão.
Antes da viagem, basta confirmar com o banco se essa cobertura existe, quais os veículos excluídos — alguns cartões não cobrem SUVs grandes ou veículos de luxo — e se é necessário recusar expressamente o seguro da operadora para a cobertura do cartão ser válida. Esta verificação pode poupar entre 15 a 30 Euros por dia.

Escolher bem a categoria do veículo
A tendência natural é reservar algo ligeiramente maior do que o necessário — “para ter espaço” — mas num destino como a Croácia ou as ilhas gregas, um carro compacto ou mesmo um utilitário pequeno é frequentemente mais prático do que um SUV, tanto pela facilidade de estacionamento em centros históricos como pelos custos de combustível.
A categoria certa não é necessariamente a maior e mais luxuosa disponível. Já dei por mim a implorar a uma colaboradora para me dar um carro mais pequeno do que o que tinha para me entregar. Era um upgrade gratuito que fiz questão de recusar e acabei por conduzir um veículo duas classes abaixo, um Nissan Micra que me deu grande gosto.
Viagem em família: os custos que ninguém menciona
Para viagens em família com crianças, a equação muda. As cadeiras de bebé e os sistemas de retenção infantil são obrigatórios por lei em quase todos os países europeus, e alugar esses equipamentos diretamente na operadora pode ser caro. Uma alternativa cada vez mais popular é levar a própria cadeira de viagem — há modelos compactos e certificados especificamente pensados para esse fim — ou verificar se o alojamento tem equipamentos disponíveis para empréstimo.
O condutor adicional é outro aspeto que as famílias devem considerar com atenção. A maioria das operadoras cobra entre 8 a 15 Euros por dia por cada condutor extra, o que numa viagem de dez dias com dois adultos a conduzir pode representar uma despesa de mais de 100 Euros que não estava no orçamento. Algumas empresas incluem o condutor adicional sem custo — vale a pena verificar antes de reservar se essa diferença existe entre opções com preço base semelhante.

Uns quantos conselhos
Reservar fora do aeroporto é uma deles: os balcões dentro dos terminais pagam taxas de concessão às gestoras aeroportuárias, e esse custo repercute-se diretamente no preço ao cliente. Um balcão a cinco minutos de táxi ou shuttle pode oferecer o mesmo veículo a um preço mais baixo.
Evitar devoluções one-way sempre que possível também ajuda: devolver o carro numa cidade diferente da de retirada tem normalmente uma taxa adicional que pode ser substancial. Quando o itinerário obriga mesmo a essa logística, convém incluir esse custo na comparação desde o início.
Carros Mais Usados podem ser uma benção. Nestas coisas nunca se sabe que carro nos calha em sorte, mas optar por uma pequena empresa de aluguer pode ser uma vantagem: os veículos são geralmente mais antigos, logo, com mais marcas e riscos, que podem esconder o fruto daquele nosso pequeno erro a estacionar. O que num carro novinho em folha se reflecte numa choruda conta.
Umas Horas a Mais podem ser ganhas escolhendo operadoras com uma margem de tolerância para a hora de retorno, o que muitas vezes dá mesmo muito jeito na organização da viagem.

Inspecionar o carro antes de sair do parque
A inspeção do veículo no momento em que o recebemos é um passo que muitos viajantes apressam, mas que pode evitar dissabores sérios na devolução. Antes de sair do parque, é essencial documentar com fotografia ou vídeo todos os danos existentes — por mais pequenos que sejam — e confirmar que estão registados no contrato. Esta documentação é a principal proteção contra cobranças indevidas por danos que já existiam antes da retirada.
O mesmo se aplica ao nível de combustível: verificar se o indicador corresponde ao que está no contrato e referir qualquer discrepância de imediato. São dois minutos que podem evitar cobranças injustas de centenas de Euros. Sem esquecer a verificação do pneu sobressalente, se existir.
Vale a pena preparar — o mercado recompensa quem o faz
O mercado de aluguer de carros tem vindo a tornar-se mais competitivo, e isso beneficia quem viaja. Mas as operadoras também se tornaram mais sofisticadas nos mecanismos de receita adicional. A melhor proteção continua a ser a mesma de sempre: ler o contrato antes de assinar, perceber o que está incluído e o que não está, e não tomar decisões sob pressão no balcão. Decida antes de lá chegar e por princípio não mude de ideias.
Com um pouco de preparação antecipada, é perfeitamente possível chegar ao destino com um bom carro, cobertura adequada e a consciência de ter pago um preço justo.


Muito interessante o artigo. Obrigado pela partilha Ricardo.