O conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão deixou marca no turismo dos Emirados Árabes Unidos. Dubai e Abu Dhabi, que nos últimos anos se afirmaram como dois dos destinos mais visitados do mundo, viram a procura cair de forma abrupta — e as companhias aéreas que operam a partir dali, Emirates e Etihad, estão agora a tentar inverter essa tendência com uma iniciativa pouco comum: oferecer seguro de viagem gratuito a todos os passageiros.
A lógica é direta. Uma das principais razões que tem afastado os turistas não é tanto o risco em si, mas o receio de acabar bloqueado no país caso a situação se deteriore e os voos sejam suspensos. A maioria das apólices de seguro convencionais não cobre disrupções com origem em tensões geopolíticas — o que deixa os viajantes sem qualquer rede de proteção numa das poucas situações em que ela seria verdadeiramente necessária. É precisamente essa lacuna que as duas transportadoras pretendem colmatar.
O que a Etihad já definiu
A Etihad é a companhia com os contornos mais definidos neste momento. Em parceria com o Departamento de Turismo e Cultura de Abu Dhabi e com a seguradora Damman, vai disponibilizar cobertura gratuita de até 15 dias nos Emirados a todos os passageiros que viajem para ou por Abu Dhabi entre Julho e Dezembro de 2026. A apólice é incluída automaticamente no bilhete e enviada após a reserva, sendo também válida para quem faça uma paragem breve no país ao abrigo do programa de stopover da companhia.
O que a Emirates ainda está a preparar
A Emirates, por sua vez, ainda não fechou os detalhes, mas o presidente da companhia, Tim Clark, confirmou à Condé Nast Traveller que está a trabalhar numa cobertura de acesso fácil que garanta aos passageiros uma rede de segurança caso fiquem temporariamente impossibilitados de sair do país. A proposta vai bastante longe: a apólice poderá até cobrir bilhetes noutra companhia aérea, caso seja essa a forma mais rápida e segura de regressar a casa.
Um sinal para o mercado
Mais do que uma medida prática, esta iniciativa é também um gesto de confiança dirigido ao mercado. Ao assumirem o custo de um seguro que as seguradoras convencionais recusam oferecer, tanto a Emirates como a Etihad estão a dizer ao viajante que acreditam na estabilidade da região — e que estão dispostas a pôr dinheiro nisso.
Se vai ser suficiente para trazer os turistas de volta é outra questão. O medo é sempre mais difícil de gerir do que o risco real, e o historial recente da região não facilita o trabalho de quem tenta reconstruir a confiança. Mas como primeiros passos, estes têm pelo menos a virtude de ser concretos.
