30 de Novembro de 2025

Saímos de Kiffa sem ver nada da cidade. Talvez não houvesse nada para ver, mas também em Kaédi supostamente não havia nada e depois encontrei a mesquita e tivemos aquele momento espectáculo pela manhã.

Portanto saímos para a estrada com uma novidade: sempre íamos ao local onde vivem crocodilos, isto apesar de na véspera nos terem dito que não ia ser possível devido à condição dos acessos.

Chegar lá foi de facto complicado, não pela lama que não existia mas pelas voltas que demos completamente perdidos. Para a frente, para trás, para o lado, passa o wadi, volta a passar o wadi de volta. Custou mas aconteceu. Demos com o ponto certo para deixar o carro e dali para a frente, a pé.

Passamos por uma área rochosa, descemos para o leito seco de um rio feito de areia, avançamos mais até que chega até nós um tímido fio de água. Estamos perto. Enfim o pequeno lago e lá estão eles, os tímidos crocodilos que se assustam com a aproximação dos humanos. Nadam apenas com os olhos de fora, como periscópios. O local é agradável, bom para uma pausa na longa jornada de estrada que temos para hoje.

Ficamos por ali um bocado a descontrair, e acho que se tiver de escolher foi este o momento de apaziguamento no grupo. O Havel, que no primeiro dia não disse uma palavra, está diferente. Tinha transmitido a sua ignorância plena de inglês, mas dá para perceber que entende uma boa parte do que dizemos e até se vai aventurando numas frases tímidas mas eficientes. O que não sai em inglês vem em francês. E muitas vezes um sorriso sincero substitui a expressão séria dos primeiros dias.

O Sidi, enfim, acho que me habituei à ideia que não teria ali um guia no sentido profissional e convencional, um homem local, experiente, conhecedor. Em vez disso descobri um bom amigo, divertido, com conhecimento geral das coisas do país. Teria que servir, e feitas as contas serviu muito bem. Estava agora reunidos os ingredientes para uma viagem completa, que se concluiu como a melhor de sempre.

 

Havel, o melhor condutor da Mauritânia

Ali bem próximo existia outro ponto de interesse. Uma espécie de charco rodeado de vegetação verdejante, flores que se estendem pelo chão, árvores altas e fortes, arbustos viçosos. Tudo o que não é habitual ver na Mauritânia.

E depois, de volta à estrada. Este dia será longo, com muitos quilómetros. De Kiffa a Néma são quase 500 km e mais as voltinhas extras que fomos dando.

Paramos em Ayoun para almoçar e dar uma volta. Visito a mesquita local, pelo exterior, até porque não faz parte da cultura mauritana receber não muçulmanos nas mesquitas. Depois, uma outra, mais local, mas com belas cores, que dá umas boas fotografias.

E de novo na estrada para a tirada final. As distâncias são imensas, mas vai-se entretido. Entre a observação das aldeias que vão passando, as bonitas mesquitas de beira de estrada, os animais que por vezes invadem a faixa de rodagem… há quase sempre algo para quebrar a monitonia dos quilómetros que passam.

Chegamos a Néma já de noite. Toda a gente cansada, saturada. Mas ainda havia que jantar. Fomos a pé até um restaurante um pouco mais à frente. O seu nome, pelo burlesco, ficou para a história desta viagem: Néma Nights. Ideal para uma casa de alterne. Mas na realidade excelente para jantar. Esteve-se ali um bocado bem agradável. A noite estava amena, temperatura ideal, e boa companhia, que ainda arranjou energia para uma refeição bem-humorada.

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