9 de Dezembro de 2025
Depois de uma noite supreendentemente mal dormida no melhor alojamento desta tour – tirando a primeira noite na capital – os nossos mauritanos foram-nos buscar para tomar o pequeno-almoço em casa do Havel.
Claro que com um programa tão social o andamento do dia ficou atrasado, como sentíriamos mais tarde. Conversa assim, conversa assado, e vem o menino, e vem a esposa, e mais isto e aquilo. Depois, meter gasóleo, numa bomba artesanal, instalada na parede exterior da casa do proprietário, uma coisa nunca vista.

E, claro, uma manhã nunca está completa sem a passagem pela loja para abastecimento, hoje ainda mais rigoroso, já que a noite será de acampamento no deserto com jantar confecionado pelos nossos amigos. Ora sendo a loja no bairro do Havel, a coisa é mais morosa. Há que falar a toda a gente, ter a certeza que não nos falta nada, que experimentamos tudo o que está à vista. A tal hospitalidade de amigo.
Por fim Atar ficou para trás, num dia que será longo de estrada. Sem muito a acontecer para além dos quilómetros a passarem, em direcção à costa que atingiremos amanhã. Para hoje teremos o acampamento nas dunas.

Mas antes, uma paragem numas outras dunas. Um ponto que estava no programa formal. E de facto é um local impressionante. Na base destas duas, que se estendem a perder de vista até onde o horizonte chega, há um acampamento fechado, que será activado quando existirem turistas interessados em pernoitar.
Mais estrada. Muito asfalto. A preguiça está instalada no carro. Tirando o condutor toda a gente dormita. Passamos por pequenos povoados, vemos criaturas do deserto. O tempo vai correndo, a tarde avança. Começo a olhar para o relógio e para o mapa e aparecem-me as dúvidas. Não estou a ver como chegaremos ao ponto previsto a tempo.

E não chegaremos. Depois de sair da estrada, num ponto que só o Havel reconhece, esperam-nos ainda muitos quilómetros pelo meio de absolutamente nada. Desta vez, nem um rodado.
O sol vai baixando. Até que desaparece. Depois a luz começa a escassear. É de noite e continuamos a rodar. O esforço do Havel é enorme. Conduzir à noite sem qualquer caminho num terreno onde a qualquer momento a viatura pode atascar-se na areia é um desafio.

E dunas nem vê-las. Há uma certa tensão no carro. Nada de grave, mas estamos todos cansados e, pelo menos os clientes, já não temos a certeza de que alguma vez encontraremos as dunas para acampar.
Mas aconteceu. Como por milagre a paisagem vai-se alterando e o deserto plano de terreno pedregoso transforma-se numa envolvência de areia e as primeiras dunas aparecem.
Foi pois tempo de montar a tenda e esperar pelo jantar em redor da lareira. Um serão que tinha tudo para ser agradável. Mas o cansaço não deixou. Nem consegui apreciar o momento nem fiquei muito tempo com os amigos. Recolhi-me cedo.




