Quem tem a Tanzânia na lista de sonhos, seja pela Serengeti, pelo Kilimanjaro ou pelas praias de Zanzibar, tem agora mais um item a riscar antes de fazer a mala. Desde 1 de Outubro de 2026, os visitantes estrangeiros que entram no país têm de apresentar um seguro de viagem emitido por uma entidade pública, e não por uma seguradora à sua escolha.
Um seguro que não se escolhe
A regra é simples na teoria e tem uma particularidade que apanha muita gente desprevenida: não basta ter um seguro de viagem, mesmo que seja excelente. A apólice tem de ser a oficial, contratada a uma de duas entidades estatais. Quem aterra no continente, por exemplo em Kilimanjaro ou em Dar es Salaam, subscreve-a à National Insurance Corporation (NIC). Quem chega primeiro a Zanzibar fá-lo à Zanzibar Insurance Corporation (ZIC).
O preço é o mesmo nos dois casos: 44 dólares por adulto, o equivalente a cerca de 40 Euros. As crianças entre os 3 e os 17 anos pagam metade, e os bebés até aos 2 anos viajam sem custo, embora também precisem de ter a apólice emitida. A cobertura dura até 92 dias e inclui assistência médica de emergência, evacuação, repatriamento e perda de bagagem.
Zanzibar já conhecia o modelo
Para quem já visitou a ilha nos últimos dois anos, nada disto soa a novidade. Zanzibar exige um seguro obrigatório aos turistas desde Outubro de 2024, mas a cobertura limitava-se ao território insular. O que mudou agora foi o alargamento ao continente, formalizado em regulamentos publicados pelo Ministério das Finanças tanzaniano em Setembro.
Há ainda uma melhoria prática em relação ao que existia. Quem combina safári no continente com praia em Zanzibar, uma das formas mais comuns de visitar o país, não precisa de duas apólices. Conta o primeiro ponto de entrada: a apólice comprada à chegada é válida em todo o território, e quem já tivesse adquirido a da ZIC antes de Outubro para uma viagem iniciada no continente também não tem de repetir a compra.
Comprar antes de partir
Em teoria, é possível tratar de tudo à chegada. Na prática, as autoridades aconselham a fazê-lo com antecedência, nos portais da NIC e da ZIC, e a levar o comprovativo já impresso ou guardado no telemóvel. A razão é logística: depois de uma noite de voo, ninguém quer ficar numa fila de aeroporto a resolver pagamentos, sobretudo nos períodos de maior afluência.
O risco de chegar sem a apólice certa é real. Um seguro de outra seguradora não é aceite, o que obriga a comprar o oficial no local, e, no pior cenário, os agentes de imigração podem recusar a entrada. Há também informação de que alguns grupos, como os residentes em países da Comunidade da África Oriental e da SADC, estão isentos, mas essa exceção dificilmente se aplica a viajantes portugueses.
Porque agora
O Governo justifica a medida com o crescimento do turismo, que tem vindo a recuperar com força desde a pandemia e atingiu 2,29 milhões de visitantes em 2025. Com tantos estrangeiros a circular, a uniformização das apólices tem uma vantagem evidente para clínicas e hospitais: todos os turistas passam a ter as mesmas coberturas, emitidas pelas mesmas duas entidades, o que simplifica a verificação e acelera o atendimento em caso de emergência.
O que muda para o viajante português
O seguro oficial não substitui o seu seguro de viagem habitual. A cobertura estatal é uniforme e relativamente básica, pelo que continua a fazer sentido ter uma apólice própria, sobretudo se a viagem incluir atividades de aventura, como a subida ao Kilimanjaro, ou se se pretender cobertura para cancelamentos e equipamento eletrónico. Na prática, o novo seguro é um custo adicional de cerca de 40 Euros por pessoa, a somar ao orçamento da viagem, e convém confirmar nos portais oficiais as condições em vigor antes de reservar, porque os procedimentos ainda estão a ser afinados.
Para a maioria dos viajantes, o impacto será sobretudo burocrático e de bolso. Mas num destino onde um safári pode levar o visitante a muitas horas do hospital mais próximo, a ideia de garantir que todos entram com cobertura médica e de evacuação não é descabida. Basta incluir o passo na lista de tarefas e tratar dele a tempo.



