11 de Dezembro de 2025
Este foi o último despertar com estes amigos. Vou ter saudades. Do Sidi preguiça, dos humores do Havel. De tudo. Dos risos partilhados, as aventuras vividas, as refeições tomadas em conjunto. Foram dias muito bons, estes da Mauritânia, que até ver arrebata o título de melhor viagem que já fiz.
A chave do sucesso foi a amizade que se estabeleceu, a cumplicidade que se criou. Claro que os locais, as pessoas, as paisagens, tiveram a sua influência, mas o que valeu foi o todo. Vou ter saudades disto.
Pronto, tomamos o último pequeno-almoço juntos. Sem pressa. Há tempo para chegar a Nouakchott.

Mas haverá ainda oportunidade para uma surpresa, um último presente destes amigos Mauritanos: tinha falado ao Sidi no gosto que teria de ver pela segunda vez na vida (a primeira foi na Namíbia) aquela paisagem que se define como o ponto onde o deserto se encontra com o mar. Ele foi vago. Mas agora diz-me que vão fazer os possíveis para nos levarem a um lugar assim.
E cumpriram. Senti-o como uma oferenda do coração. Todos adorámos a experiência. Na Namíbia havia viaturas quase por todo o lado. Aqui, nem uma. Nós e o meio ambiente. O Havel deu o seu contributo, conduzindo com a mestria habitual pela areia, por vezes mesmo pela água que a rebentação trazia. Wow! Que aventura. Todos debruçados das janelas, a receber o ar marítimo na face.

Depois deste último divertimento encontrámos o caminho para o asfalto. O timing foi perfeito. Ainda houve tempo para que um cambista viesse ao nosso encontro para ficar com uma quantia considerável em Francos da África Ocidental. E ainda mais um favor que o Sid nos fez.
Depois, o aeroporto, os abraços sentidos e, ou meu engano muito, ou uma lágrima no canto do olho do Havel.
O resto do dia decorreu sem grande história. Uma espera pelo voo para Casablanca, o condutor do hotel que nos espera, e mais uma noite passada no charmoso e decadente Hôtel Central. Adoro. Traz até mim o charme de um outro Marrocos e especialmente de uma outra Casablanca. Infelizmente foi preciso passar uma segunda noite na cidade e o “meu” hotel não estava disponível (um grupo enorme resesvou os quartos quase todos) e então antes do regresso ficou-se no funcional Ibis.



