A mais recente atualização do índice da Passport Reports, com data de 29 de Setembro, traz uma classificação que pode surpreender quem está habituado a outros rankings. No primeiro lugar está o passaporte dos Emirados Árabes Unidos, seguido do de Singapura e do da Malásia. Espanha ocupa o quarto posto, o Luxemburgo o quinto, e a Bélgica e a França partilham o sexto. Portugal surge em nono, empatado com a Suíça.

A Passport Reports é uma plataforma independente, sem ligação a governos ou a outras entidades oficiais. A classificação assenta no que a plataforma designa por Mobility Score, uma pontuação que soma os países onde o titular entra sem visto, com visto à chegada ou com uma autorização eletrónica de viagem. Quando duas pontuações coincidem, conta primeiro o número de destinos sem visto, depois os de autorização eletrónica e, por fim, os de visto à chegada. Só se tudo for igual é que os países partilham a posição.

São escolhas deste tipo que fazem a ordem mudar de índice para índice: o Henley, por exemplo, tem colocado Singapura à cabeça. Repare-se também que a Malásia e Singapura exigem apenas um cartão de chegada aos portugueses, e a plataforma conta essa entrada como isenta de visto.

Depois do trio inicial, a Europa ocupa quase toda a parte alta da tabela. Seis países empatam no sétimo lugar, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Itália, Países Baixos e Suécia, a Grécia é oitava e a Áustria décima. O Japão, tantas vezes citado como sinónimo de passaporte poderoso, aparece apenas em 13.º, e a Coreia do Sul em 17.º. O Reino Unido fica em 24.º, o Canadá em 25.º e os Estados Unidos em 30.º, bastante atrás de muitos países europeus de pequena dimensão. Na outra ponta, o Afeganistão fecha a lista em 186.º.

O passaporte português soma 173 pontos: 119 destinos sem visto, 43 com visto à chegada e 11 com autorização eletrónica, restando 25 países onde é preciso pedir visto antes de viajar. Isto corresponde a 87,4 por cento dos países listados. Entre os dez países que têm o Português como língua oficial, Portugal é o primeiro; o Brasil surge em 33.º e Cabo Verde em 122.º. Dentro da Europa, a posição portuguesa é a 12.ª em 47.

O contexto histórico pede cuidado. Em 2024 e em 2025, Portugal ocupava o sexto lugar; agora está em nono. Só que a pontuação passou de 174 para 173, uma diferença de apenas um ponto, o que sugere que a descida resulta sobretudo da subida de outros países e não de uma perda real de acesso.

A sensibilidade do índice vê-se num episódio recente. A 15 de Setembro, o Laos deixou de oferecer visto à chegada aos portugueses e passou a exigir visto prévio, e Portugal desceu do 9.º para o 11.º lugar. Cinco dias depois, o visto à chegada foi reposto e o país regressou ao 9.º. Um único destino bastou para mexer duas posições.

Na prática, o número no ranking pouco altera o planeamento de uma viagem. O que conta são as regras de cada destino. Os portugueses precisam de autorização eletrónica antes de seguir para os Estados Unidos, o Reino Unido ou o Canadá, por exemplo, e convém tratar dela com antecedência e através dos sites oficiais, evitando intermediários que cobram a mais por um serviço simples.

A própria Passport Reports avisa que os seus dados podem conter erros e aconselha a confirmar a informação antes de a usar. O conselho aplica-se a qualquer índice do género: serve para ter uma ideia geral da força de um passaporte, não para decidir se se compra um bilhete. Antes de reservar, a consulta das condições de entrada junto das autoridades do país de destino continua a ser o passo que não se deve saltar.

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