Há comboios que levam pessoas de um lugar a outro. E há comboios que transportam para outra época. O Belle Époque, que percorre diariamente a linha entre Montreux e Zweisimmen, pertence claramente à segunda categoria.
A aventura inicia-se em Montreux, é uma cidade à beira do Lago Leman com um charme desproporcionado ao seu tamanho. É conhecida internacionalmente pelo Festival de Jazz de Montreux, um dos maiores do mundo, que acontece todos os anos em Julho. Fora dessa época, a orla do lago — o chamado quai — convida a longos passeios entre palmeiras e flores, com vista para os Alpes. A poucos quilómetros fica o Castelo de Chillon, uma fortaleza medieval construída sobre um rochedo diretamente sobre a água, que figura entre os monumentos mais visitados da Suíça.
Uma vez a bordo e em movimento, a viagem dura pouco mais de duas horas, mas é o tipo de trajeto em que o tempo perde o sentido. Assim que o comboio parte da margem do Lago Leman, começa a subir pelas colinas que cercam Montreux, abrindo vistas progressivamente mais amplas sobre o lago e os Alpes franceses do outro lado da água. A partir daí, a paisagem vai-se transformando ao ritmo dos vagões: florestas, vales nevados, aldeias de chalés com telhados pesados, vacas que nem levantam a cabeça quando o comboio passa. É como folhear um livro de fotografias da Suíça ideal.

O interior está à altura do exterior. Os vagões apresentam painéis de madeira, bancos de veludo, candeeiros ornamentados e apontamentos em latão, num décor de estilo Art Nouveau que transporta para o início do século XX. A MOB, a companhia que opera a linha, acrescentou estas carruagens à sua frota em 2005, totalmente reconstruídas nas oficinas de Chernex — mas o resultado é tão fiel ao espírito original que é difícil acreditar que não são autênticas relíquias de 1913, quando a linha foi inaugurada. A história começa nesse ano; nessa época, ninguém suspeitava que a Europa estava prestes a ser varrida pela guerra.
A meio do percurso fica Gstaad, uma paragem que por si só justificaria uma viagem. Inicialmente uma pequena aldeia agrícola, Gstaad começou a transformar-se numa estância de luxo precisamente com a chegada da linha ferroviária, em 1905, que abriu o caminho à elite europeia. Hoje é um dos destinos mais exclusivos dos Alpes: um enclave de elegância discreta no Oberland bernês, com um centro pedonal onde os edifícios de madeira se sucedem ao longo de uma promenade e onde o objeto mais veloz em movimento é provavelmente uma carruagem puxada a cavalos. Quem quiser parar aqui, o comboio permite-o — e os bilhetes para o troço mais curto entre Montreux e Gstaad são naturalmente mais baratos.

O Belle Époque faz parte da linha GoldenPass, uma das grandes rotas panorâmicas da Suíça, que liga Montreux a Interlaken com transferências em Zweisimmen. Quem quiser continuar viagem depois de Zweisimmen pode fazê-lo noutros comboios, explorando o coração do Oberland bernês e chegando eventualmente às imediações de Lucerna. Mas muitos optam por simplesmente regressar a Montreux no mesmo dia, aproveitando uma das duas partidas da tarde.
Quanto a Zweisimmen, é uma vila tranquila no coração do Simmental, um vale alpino que parece ter ficado parado no tempo. Não tem a fama de Gstaad, mas é precisamente esse o seu encanto: é a Suíça sem adornos, com casas de madeira centenárias e montanhas por todos os lados. Para quem quer ir um pouco mais além, existe um telecabine que sobe ao Rinderberg, a mais de 2.000 metros de altitude, com vistas sobre vários vales em simultâneo.
Horários e reservas
O comboio parte de Montreux às 9h50 e às 14h50, e de Zweisimmen às 12h02 e às 17h02. As reservas não são obrigatórias para viajantes individuais, mas são recomendadas — especialmente nos meses de maior afluência turística, quando os melhores lugares junto às janelas se esgotam rapidamente. A reserva faz-se no site oficial da MOB em mob.ch, procurando o comboio identificado como “Belle Époque”.
Preços
O bilhete de segunda classe entre Montreux e Zweisimmen custa cerca de 27 francos suíços; a primeira classe sobe para aproximadamente 58 francos. Para o troço mais curto até Gstaad, os valores descem ligeiramente. A estes preços acresce uma taxa de reserva de 9 francos suíços por lugar — quem já tiver um Swiss Travel Pass paga apenas essa taxa de reserva, uma vez que o passe cobre o bilhete de viagem. Swiss Family FunBuild a Break.
Para quem planeia visitar a Suíça com mais tempo, o Swiss Travel Pass ou o Half-Fare Card compensam largamente: o primeiro dá acesso ilimitado à rede ferroviária do país, o segundo reduz a maioria dos bilhetes para metade do preço. Vale a pena fazer as contas antes de viajar. E se o objetivo for poupar sem abdicar da experiência, o conselho é simples: escolher um troço mais curto — o encanto das carruagens é exatamente o mesmo entre Gstaad e Zweisimmen do que na viagem completa.
Para reservas e informações oficiais, visite a página do comboio.



