Na manhã de onrtem, 30 de Setembro de 2026, um Boeing 737 MAX 8 da flydubai que fazia a ligação entre o Dubai e Telavive transmitiu sinais de emergência, mergulhou milhares de pés em poucos segundos e acabou por aterrar em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita. Dentro da cabina de pilotagem, um dos pilotos tinha sido esfaqueado. A situação continua em evolução, e muitos detalhes vêm de declarações políticas e de testemunhos de passageiros, ainda sem confirmação oficial.
O voo e a cronologia
O voo FZ1073 descolou do Dubai por volta das 03:05 GMT com 174 passageiros a bordo, 27 deles crianças, quase todos israelitas. Segundo os dados do Flightradar24, reconstituídos pela Al Jazeera, o avião subiu até aos 34.000 pés e seguiu viagem sem incidentes aparentes até perto das 05:21 GMT, quando iniciou uma descida acentuada, seguida de uma subida brusca e de uma segunda descida. Por volta das 05:33 GMT voava a cerca de 15.000 pés.
Às 05:28 GMT, junto à fronteira entre a Arábia Saudita e a Jordânia, o transponder começou a emitir o código 7700, que assinala uma emergência geral. Sete minutos depois passou para 7500, o código reservado a interferência ilícita, isto é, sequestro. O avião virou para oeste, entrou brevemente no espaço aéreo jordano e regressou em direção à Arábia Saudita. Às 05:44 GMT, os controladores de Tabuk receberam um pedido de aterragem de emergência, e o aparelho tocou no solo por volta das 06:45 GMT, com todos os passageiros sãos e salvos, segundo a companhia.
A amplitude da queda varia conforme as fontes. Os dados citados pela imprensa apontam para uma perda de cerca de 14.000 pés em aproximadamente meio minuto, ou seja, mais de quatro mil metros. Outra análise de dados de voo fala em mais de 17.000 pés em menos de dois minutos. Em qualquer dos casos, os passageiros descrevem cenas de pânico, gritos e sangue na cabina.
O que aconteceu na cabina de pilotagem
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse num vídeo que um dos pilotos esfaqueou o outro quando o avião se aproximava de Israel e que, aparentemente, tentou despenhar o aparelho com todos a bordo. Acrescentou que um passageiro e um membro da tripulação entraram na cabina e dominaram o agressor enquanto este tentava sabotar os sistemas do avião.
Os relatos dos passageiros coincidem no essencial. Ouviram alguém gritar que havia uma esfaqueadela, vários homens correram para a frente do avião e forçaram a porta blindada, que tinha resistido exatamente como foi concebida para resistir. Lá dentro encontraram o agressor por cima do outro piloto. Um dos que entraram, o diretor-executivo de uma seguradora israelita, contou que um médico que seguia a bordo tratou o piloto ferido, e o voo pôde continuar. Outro passageiro descreveu que o agressor foi imobilizado com um estrangulamento.
Quem pilotou o avião depois disso também não é totalmente claro. A flydubai diz que tripulantes da própria companhia que viajavam a bordo estabilizaram o aparelho, o desviaram e o aterraram em segurança. Alguns meios de comunicação israelitas falam de dois pilotos fora de serviço, um russo e um ucraniano, mas esse pormenor não foi confirmado por nenhuma entidade oficial.
Quem são os pilotos
As autoridades não divulgaram o nome do suspeito. Fontes israelitas, citadas pela CNN e por vários jornais, afirmam que era o co-piloto e que tem nacionalidade omanita. O Israel Hayom acrescenta que trabalhava na flydubai há cerca de nove meses, e as autoridades israelitas estão a examinar como foi autorizado a integrar uma tripulação com destino a Israel, país com o qual Omã não mantém relações diplomáticas. Nada disto foi confirmado por uma entidade oficial.
O comandante, que sofreu ferimentos graves com arma branca, foi identificado por vários meios como o indiano Smit Machchhar, sediado no Dubai, e não como emiratense, como chegou a ser dito inicialmente por responsáveis israelitas. O estado de saúde é descrito de formas diferentes consoante a fonte. O aeroporto de Tabuk confirmou apenas que os dois pilotos foram levados para o hospital. Um passageiro na casa dos 50 anos foi também levado para o hospital com ferimentos no tronco.
Terrorismo, motivo e a prudência da companhia
Netanyahu classificou o episódio como um ato de terror, e o ministro da Defesa, Israel Katz, falou em tentativa de atentado jihadista. A CNN sublinhou que Katz não apresentou provas para essa caracterização. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, foi mais longe e defendeu que o responsável e quem o tenha enviado deviam pagar como se tivessem cometido um homicídio, embora nenhuma autoridade tenha dito que alguém o enviou.
A flydubai, por sua vez, limitou-se a confirmar que ocorreu uma altercação na cabina de pilotagem, que os motivos são desconhecidos e que serão alvo de investigação formal, e pediu que se evitasse a especulação precoce. Não há, para já, qualquer confirmação independente de uma tentativa de sequestro, nem da intenção de despenhar o avião. Um especialista em segurança aérea ouvido pela Al Jazeera lembrou que, tratando-se de um ataque terrorista, de uma discussão acalorada ou de uma crise de saúde mental, o caso reforça o peso da ameaça vinda de dentro da tripulação, que considera hoje a maior da aviação civil.
O contexto político também pesa. Um dia antes, Netanyahu tinha avisado que os inimigos de Israel poderiam tentar ataques antes das eleições de 27 de Outubro, e o líder da oposição, Yair Lapid, garantiu que nada semelhante constava da informação de segurança que recebeu nessa noite e acusou o Governo de fazer política barata com a segurança do país.
Como os passageiros voltaram para casa
A Arábia Saudita, que não tem relações diplomáticas com Israel, recusou o pedido israelita para enviar um avião civil ou militar buscar os passageiros. A flydubai mandou aviões de substituição para Tabuk, e os passageiros aterraram em Telavive, no aeroporto Ben Gurion, às 15:34 GMT, onde Netanyahu agradeceu pessoalmente a alguns dos que imobilizaram o agressor. Três famílias terão recusado embarcar no voo de substituição, por só quererem viajar numa companhia israelita.
E agora?
A investigação envolve pelo menos três países. A Arábia Saudita tem o suspeito sob custódia, os Emirados Árabes Unidos, onde está sediada a companhia, conduzem a investigação de segurança, e Israel anunciou que investigará em conjunto com as autoridades emiratenses. O ministério israelita dos Transportes falou numa investigação conjunta com o sector da defesa, e o Israel Hayom noticiou que a ministra Miri Regev suspendeu os voos da flydubai para Israel. Netanyahu mandou reforçar a segurança nas companhias israelitas e estrangeiras que operam no país.
As perguntas essenciais continuam sem resposta. Não se sabe como a arma entrou na cabina de um voo sujeito a algumas das medidas de segurança mais apertadas do mundo, quem o suspeito é ao certo, nem porque fez o que fez. Historicamente, apurar se um ato deste género foi ideológico, pessoal ou fruto de uma crise psiquiátrica demora meses. Por agora, o suspeito foi detido e está a ser interrogado, mas ainda não foi acusado.
