Portugal vai passar estar entre as 33 nacionalidades autorizadas a usar o Auto Gate no aeroporto de Suvarnabhumi, em Banguecoque, numa mudança que promete encurtar significativamente o tempo de espera à chegada — ainda que os viajantes de primeira vez continuem obrigados ao controlo tradicional.

Quem costuma associar a chegada à Tailândia a longas filas de imigração vai ter, dentro de poucas semanas, um motivo para respirar de alívio. As autoridades tailandesas preparam-se para alargar o sistema de portas automáticas do aeroporto internacional de Suvarnabhumi a cidadãos de mais 31 países, entre os quais Portugal, somando-se aos dois que já tinham acesso — Singapura e os próprios nacionais tailandeses, além dos titulares de documentos de viagem de Hong Kong. A medida deverá entrar em funcionamento ainda antes do final de Agosto, assim que estiverem concluídos os trâmites administrativos necessários.

Quem fica incluído

A lista definitiva junta a maioria dos principais mercados emissores de turistas para o Sudeste Asiático: além de Portugal, entram países como Espanha, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Irlanda, Países Baixos, os países nórdicos e bálticos, várias nações da Europa Central, o Japão e a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia, o Canadá e os Emirados Árabes Unidos, entre outros. Segundo a imprensa tailandesa, a escolha destas nacionalidades não foi arbitrária: teve em conta critérios como as taxas históricas de recusa de entrada, a posição de cada país no Henley Passport Index e avaliações de segurança feitas pelas autoridades locais.

Como funciona — e a exceção que importa saber

A grande ressalva desta novidade está na primeira visita. Quem viaja pela primeira vez à Tailândia não pode simplesmente dirigir-se ao Auto Gate: terá sempre de passar pelo balcão convencional, onde são recolhidos os dados biométricos do passageiro. Só a partir de uma segunda viagem — e desde que os restantes requisitos estejam cumpridos — é que esses dados ficam registados no sistema e permitem o uso da porta automática, tornando o processo de entrada muito mais rápido. A implementação será, ainda assim, gradual, condicionada à disponibilidade de equipamento nos postos de fronteira e à preparação dos sistemas biométricos.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema que esta medida procura resolver, basta olhar para os números de Suvarnabhumi: em época alta, o aeroporto chega a receber cerca de 190 mil passageiros por dia, dos quais 70 mil correspondem a chegadas internacionais. Entre as 13h00 e as 17h00, o pico de tráfego pode traduzir-se em 5 a 6 mil pessoas por hora a passar pela zona de imigração — um cenário familiar para quem já experimentou filas de mais de uma hora à chegada a Banguecoque. Com o sistema totalmente operacional, as autoridades estimam poder processar cerca de 53% de todas as chegadas internacionais através das portas automáticas, beneficiando uns 6,5 milhões de visitantes de curta duração por ano, além de cerca de 900 mil titulares de determinados vistos de longa duração.

Esta expansão insere-se num esforço mais amplo de digitalização dos processos de fronteira tailandeses, que inclui também o sistema Thailand Immigration Management, através do qual os visitantes podem submeter antecipadamente parte dos seus dados de viagem.

O TDAC continua obrigatório

A par das portas automáticas, mantém-se um requisito que nada tem a ver com esta novidade mas que costuma gerar confusão entre viajantes portugueses: o Thailand Digital Arrival Card, ou TDAC. Trata-se de um formulário digital gratuito e obrigatório para todos os estrangeiros que entram no país por via aérea, terrestre ou marítima — independentemente de terem ou não acesso ao Auto Gate. Deve ser preenchido online nos três dias que antecedem a chegada, através do portal oficial, e gera um código QR que é apresentado no controlo de imigração. Mesmo os cidadãos portugueses, que já beneficiam de isenção de visto para estadias turísticas de curta duração, não ficam dispensados deste passo — só passageiros em trânsito que não atravessem o controlo de imigração escapam à obrigatoriedade.

Na prática, para quem já tem uma viagem à Tailândia marcada ou em preparação, a recomendação é simples: tratar do TDAC com antecedência para evitar contratempos à chegada, e não esperar poder usar o Auto Gate logo na primeira visita — essa vantagem só chega da segunda vez em diante.

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