A regra dos 100 ml para líquidos na bagagem de mão existe desde 2006, quando as autoridades britânicas desmantelaram um plano terrorista que envolvia explosivos líquidos dissimulados em garrafas de refrigerante. A resposta foi imediata e global: recipientes individuais limitados a 100 ml, tudo dentro de um saco transparente com capacidade máxima de um litro, retirado da mala para inspecção separada. Quase vinte anos depois, a regra começa finalmente a ceder — mas apenas onde existe tecnologia para a substituir.
A mudança é possível graças aos novos scanners de tomografia computorizada (CT), tecnologia equivalente à usada em hospitais, que consegue analisar o conteúdo de uma mala com líquidos no seu interior sem necessidade de remoção nem de limitação de volume. Em Julho de 2025, a Comissão Europeia aprovou uma configuração padrão destes equipamentos (designada C3), autorizando os aeroportos que os instalem a permitir recipientes até dois litros na bagagem de mão. A implementação é, contudo, da responsabilidade de cada aeroporto individualmente — e o resultado é um mapa completamente irregular que já está a causar confusão entre passageiros.
Aeroportos onde já se pode embarcar com líquidos até 2 litros
Reino Unido Heathrow (todos os terminais), Gatwick (terminais Norte e Sul), Edinburgh, Birmingham, Bristol, Luton
Irlanda Dublin (implementação total)
Itália Roma Fiumicino, Milão Linate, Milão Malpensa (apenas Terminal 1), Bolonha, Turim (apenas no Fast Track)
Alemanha Berlim Brandenburgo (parcial — cerca de 24 corredores dos 160 existentes; regra dos 100 ml ainda recomendada para garantir fluidez), Munique (em curso — investimento de 45 milhões de Euros em 60 scanners CT, conclusão prevista para o Verão de 2026)
Polónia Cracóvia, Poznań
Lituânia Vilnius, Kaunas
República Checa Praga (Terminal 2)
Roménia Cluj-Napoca, Sibiu, Bucareste Otopeni, Bucareste Băneasa
Dinamarca Billund
Malta Aeroporto Internacional de Malta (implementação total)
Aeroportos onde a regra dos 100 ml se mantém
Lisboa, Porto, Bruxelas, Paris, Marselha, Madrid, Atenas (prevê instalar os novos scanners apenas no início de 2027), Amesterdão Schiphol, Barcelona El Prat, Tóquio, a generalidade dos aeroportos norte-americanos.
Portugal em particular: os sites oficiais dos aeroportos de Lisboa e Porto continuam a indicar a regra clássica dos 100 ml. Existe informação de que Lisboa terá os novos scanners em fase de instalação, sendo expectável que o Porto e o Aeroporto da Madeira sigam a mesma trajectória — mas sem data confirmada.
O problema prático
A situação actual é potencialmente caótica para quem faz voos com escala. É perfeitamente possível embarcar em Heathrow com uma garrafa de água de litro e meio na mochila e tê-la confiscada na segurança do aeroporto de ligação, se esse não tiver ainda os novos scanners. O critério que conta é sempre o do aeroporto de partida de cada segmento de voo — não o do aeroporto de origem do percurso total. Nos EUA a situação é ainda mais conservadora: a TSA mantém a regra dos 100 ml (3,4 onças) em praticamente todo o território, sem previsão de mudança generalizada.
A recomendação prática para já: verificar sempre as regras específicas do aeroporto de partida antes de cada voo, e não assumir que a flexibilidade se aplica ao percurso completo se houver escala.



